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Leis de Gravação em Moçambique: Consentimento de Todas as Partes, Lei da Cibercriminalidade e Penas (2026)

Por Equipe Editorial da Recording Law31 min de leitura
Leis de Gravação em Moçambique: Consentimento de Todas as Partes, Lei da Cibercriminalidade e Penas (2026)

Perguntas frequentes

Moçambique é um país de consentimento de uma parte ou de todas as partes para gravações?

Moçambique é um país que exige o consentimento de todas as partes. O Código Penal revisto (Lei 24/2019) criminaliza a gravação de conversas, chamadas telefónicas ou qualquer comunicação privada sem o consentimento de todas as partes envolvidas, quando feita com intenção de invadir a vida privada. A lei pune especificamente a gravação de palavras proferidas por outra pessoa que não se destinem a ser tornadas públicas, mesmo que essas palavras lhe sejam dirigidas diretamente. As violações são puníveis com até um ano de prisão e multa.

Os jornalistas podem gravar legalmente entrevistas ou conversas sem consentimento em Moçambique?

Os jornalistas enfrentam um risco jurídico significativo ao gravar sem consentimento. O Código Penal inclui uma exceção estreita para condutas que constituam um meio adequado para realizar um interesse público legítimo e relevante, o que poderia, em teoria, proteger o jornalismo de investigação. No entanto, a exceção é vaga e nunca foi testada em tribunal. Os jornalistas têm de gravar primeiro e depois invocar a defesa em julgamento, se forem processados. Desde as contestadas eleições de outubro de 2024, o ambiente no terreno para jornalistas que documentam funcionários públicos tornou-se substancialmente mais perigoso, com detenções, confiscos de telemóveis e ameaças documentadas pelo CPJ, pela RSF e pela Amnistia Internacional.

Quais são as penas por gravar alguém ilegalmente em Moçambique?

A pena máxima por gravação não autorizada é de um ano de prisão, mais a multa correspondente, nos termos do Código Penal revisto. Isto aplica-se à gravação de conversas sem consentimento, à interceção de comunicações telefónicas, à gravação de palavras não destinadas ao público, ao uso ou partilha de gravações sem autorização, mesmo que produzidas licitamente, e à fotografia ou filmagem de uma pessoa sem consentimento. A nova Lei da Cibercriminalidade (abril de 2026) acrescenta até dois anos de prisão pelo acesso não autorizado a sistemas informáticos, o que pode aplicar-se quando a gravação envolve o acesso a um dispositivo ou rede sem autorização. O procedimento criminal por crimes contra a privacidade previstos no Código Penal exige, geralmente, queixa formal da pessoa cuja privacidade foi violada.

Os empregadores podem usar CCTV ou monitorizar trabalhadores em Moçambique?

A vigilância no local de trabalho só é permitida para a proteção e a segurança de pessoas e bens, ou quando faça parte do processo produtivo normal. Nos termos da Lei do Trabalho (Lei 13/2023), os empregadores devem dar aviso escrito aos trabalhadores sobre qualquer vigilância à distância, incluindo a sua existência e finalidade. A falta deste aviso torna nula qualquer prova obtida. Os empregadores não podem aceder à correspondência pessoal ou às comunicações privadas dos trabalhadores sem autorização legal expressa, mesmo em dispositivos da empresa.

Moçambique tem uma lei de proteção de dados que abranja gravações?

Moçambique não tem uma lei autónoma de proteção de dados até meados de 2026. As obrigações de privacidade decorrem da Constituição, do Código Penal, da Lei do Trabalho e da Lei das Transações Eletrónicas (Lei 3/2017). Um projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais entrou em consulta pública em setembro de 2025 e, se promulgado, criará regras abrangentes para a recolha, o tratamento e o armazenamento de dados pessoais, incluindo gravações. O projeto criaria também uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) para supervisionar a conformidade e a aplicação da lei.

O que mudaram as Leis da Cibercriminalidade e da Cibersegurança aprovadas em abril de 2026 para o direito da gravação?

A Lei da Cibercriminalidade e a Lei da Cibersegurança de abril de 2026 não alteram os requisitos de consentimento de todas as partes previstos no Código Penal. A Lei da Cibercriminalidade trata do acesso não autorizado a sistemas informáticos, dos procedimentos de recolha de prova eletrónica e da cooperação internacional em investigações digitais. A Lei da Cibersegurança cria uma Autoridade Nacional de Cibersegurança. No que respeita ao direito da gravação, a Lei da Cibercriminalidade dá às autoridades uma base processual mais clara para obrigar os prestadores de serviços a fornecer dados de comunicações armazenados, mediante autorização judicial. Uma gravação obtida através de acesso não autorizado a um dispositivo ou conta pode ser objeto de acusação tanto ao abrigo do Código Penal como da Lei da Cibercriminalidade.

É seguro gravar a polícia em Moçambique?

Não existe um direito legal explícito de gravar a polícia em Moçambique, e os riscos práticos são muito elevados. Durante os protestos pós-eleitorais de outubro de 2024 a início de 2025, as autoridades confiscaram telemóveis de jornalistas, prenderam repórteres e cortaram o acesso à internet. Pelo menos nove jornalistas que cobriam os protestos foram agredidos ou detidos. O Código Penal não isenta os funcionários públicos das suas disposições sobre privacidade, e a exceção de interesse público nunca foi definida de forma autorizada. Quem gravar atividade policial deve estar ciente de que o equipamento pode ser confiscado e de que a responsabilidade criminal não pode ser excluída.

Fontes e referências

  1. Lei 24/2019, de 24 de dezembro: Lei de Revisão do Código Penal de Moçambique (texto integral, em português)(reformar.co.mz)
  2. Constituição da República de Moçambique (2004, revista em 2007): artigos 41.º, 65.º, 68.º e 71.º(constituteproject.org)
  3. TechAfrica News: Parlamento de Moçambique aprova leis da cibersegurança e da cibercriminalidade (abril de 2026)(techafricanews.com)
  4. CADE Project: Moçambique aprova anteprojetos de lei da cibercriminalidade e da cibersegurança para debate parlamentar(cadeproject.org)
  5. ITWeb Africa: Moçambique aprova leis históricas sobre cibercriminalidade(itweb.africa)
  6. INTIC: Instituto Nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (página de legislação)(intic.gov.mz).gov
  7. Decreto 33/2001, de 6 de novembro: Regulamento de Licenciamento de Telecomunicações(itu.int)
  8. DLA Piper: leis de proteção de dados no mundo, Moçambique(dlapiperdataprotection.com)
  9. ENSafrica: o direito à privacidade dos trabalhadores na lei moçambicana (Lei do Trabalho, Lei 13/2023)(ensafrica.com)
  10. PLMJ: Moçambique, projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais (2025)(plmj.com)
  11. Mondaq: Moçambique, projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais (2025)(mondaq.com)
  12. Global Voices: nova lei da privacidade em Moçambique ameaça a liberdade de expressão, dizem ativistas(globalvoices.org)
  13. Paradigm Initiative: Moçambique, desafios de garantir a privacidade sem prejudicar liberdades essenciais(paradigmhq.org)
  14. RSF: jornalistas moçambicanos presos na violência pós-eleitoral(rsf.org)
  15. Comité para a Proteção dos Jornalistas: jornalistas no fogo cruzado da crise pós-eleitoral em Moçambique (2024)(cpj.org)
  16. Amnistia Internacional: violações de direitos humanos durante a repressão pós-eleitoral de 2024 em Moçambique(amnesty.org)
  17. Human Rights Watch: Relatório Mundial 2025, Moçambique(hrw.org)
  18. OHCHR: Moçambique, violência e repressão pós-eleitorais devem cessar, dizem peritos da ONU (2024)(ohchr.org)
  19. Club of Mozambique: restrições à gravação não afetam o jornalismo, afirma juiz sénior(clubofmozambique.com)
  20. CIPESA: Revisão Periódica Universal, Moçambique deve garantir direitos digitais(cipesa.org)
  21. RSF: Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2026 (Moçambique classificado em 99.º de 180)(rsf.org)
  22. Conselho da Europa: cibercriminalidade em Moçambique, análise do quadro jurídico(rm.coe.int)
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